LUANA TESKE
Entre o útero e a vagina existe um caminho
Antes de conhecer o mundo, toda mulher foi acolhida no útero de outra mulher. Talvez por isso exista algo de ancestral em reconhecer o próprio corpo, nele habita uma história que começa antes de nós.
No parto, o útero impulsiona. A vagina abre passagem. Um contrai, a outra acolhe.
Um sangra, transforma-se, contrai, gesta. A outra conhece o encontro, o prazer, o toque, o desejo, a intimidade. Distintos, mas conectados.
Somos ensinadas a separá-los, como se fossem territórios diferentes. Como se existisse um corpo para o prazer e outro para a maternidade. Como se a mulher que deseja precisasse desaparecer para dar lugar à mulher que gera. Mas o corpo feminino é inteiro, desconhece esse tipo de divisão.
O mesmo corpo que sente prazer e o que dá à luz. O corpo que se abre para a chegada de um filho, também se abre para o prazer.
Entre o útero e a vagina não há separação, há complexidade de um corpo sensível que deseja, acolhe, gera vida e goza.