RITUAIS DO FEMININO
UMA EXPOSIÇÃO COLETIVA DAS EXPERIÊNCIAS TERAPÊUTICAS
Imagem: Ana Flor
Esta exposição reúne o resultado de um semestre de investigação desenvolvido por um grupo de mulheres no âmbito da fotografia terapêutica e apresenta um processo sustentado pelo tempo, pela escuta e pela construção de um espaço de confiança, onde a fotografia foi mobilizada como prática de consciência, experimentação e transformação.
O percurso foi estruturado a partir de sete eixos-rituais — Nascimento, Menarca, Perdas, Maternidade, Sexualidade e Amor, Comunidade Feminina e Menopausa ou ficar na Potência Total, — entendidos como territórios simbólicos de atravessamento. Em cada um deles, teoria e prática dialogaram continuamente, convocando memória, corpo, imaginação e experiência.
Como facilitadora deste processo, interessou-me menos a produção de imagens "bem resolvidas" do que a criação de condições para que cada participante pudesse sustentar um encontro radical consigo mesma e, simultaneamente, com o coletivo. Segurar esse espaço significou compreender a curadoria como uma prática de cuidado: desenhar uma estrutura suficientemente firme para acolher vulnerabilidades e suficientemente aberta para permitir que cada percurso encontrasse sua própria linguagem.
As quatro galerias que compõem esta exposição — Consciência, Experiência, Processo e Relação — refletem as dimensões que emergiram desse percurso. Não constituem etapas lineares, mas campos de leitura que revelam diferentes modos pelos quais as imagens operam: como tomada de consciência, como experiência encarnada, como vestígio de uma transformação em curso e como expressão das relações que sustentam qualquer processo de mudança.
Se cada trabalho preserva a singularidade de quem o realizou, é no entrelaçamento entre eles que esta exposição encontra sua potência. O coletivo não funcionou como contexto, mas como matéria constitutiva da obra. A presença da outra, a escuta, o testemunho e o reconhecimento mútuo produziram deslocamentos impossíveis de serem alcançados em isolamento. O que se vê é, portanto, a materialização de uma experiência compartilhada, em que autoria individual e construção coletiva coexistem sem hierarquia.
As imagens aqui apresentadas não pretendem concluir processos nem ilustrar conceitos. Permanecem abertas, habitadas pelas perguntas que as originaram. São fragmentos de uma prática em que a fotografia deixa de ser apenas um objeto estético para afirmar-se como um campo de produção de sentido, de memória e de relação.
Este corpo de trabalho é, antes de tudo, o vestígio de uma travessia.
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Ana Flor
Anna Twardowska
Aldona Cieśla
Bella Montiel
Dedeu Rangel
Gabriela Fagundes
Irina Zadek
Julia Heleniak
Justyna Lichota
Luana Teske
Ligia Lotus
Marina Luna
Marta Szyszka
Mel Loretto
Natalia Massi
Weronika Kozlowska
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Irmina Walczak
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Às mulheres que fizeram parte desta travessia
Nada disso existiria sem o grupo, sem o espaço que construímos juntas.
A cada mulher que passou por este percurso, por um breve tempo ou por toda a travessia, o meu profundo agradecimento. Cada presença deixou marcas que permanecem na alma deste coletivo.
Os processos têm tempos diferentes. Às vezes, pedem outros ritmos, outros caminhos. As sementes foram lançadas. Confio que, no tempo de cada uma, elas florescerão.
Obrigada por fazerem parte desta história.
GIF: Bella Montiel
GALERIAS
Participar do Rituais do Feminino foi um super mergulho. A curadoria da Irmina, as referências que ela trouxe e as trocas entre mulheres artistas despertaram ainda mais a minha curiosidade e vontade de investigar, criando um espaço que chegou exatamente no momento em que eu precisava.
Foi muito bonito acompanhar os processos e as histórias de cada uma e, ao mesmo tempo, encontrar espaço para dar forma a ideias, imagens e obras que estavam guardadas em mim. O curso me ofereceu um lugar de escuta, criação e autoconhecimento, onde a arte também se tornou um caminho terapêutico.
Saio com um repertório ampliado e ainda mais curiosidade para continuar investigando o feminino, a arte e a mim mesma.
Ligia
Rituais do Feminino é terreno fértil de imaginação, criação e desejo! Na companhia e na força criativa das mulheres e condução da Irmina, as memórias e as novas histórias são (re)construídas, alicerçadas na ética e na criatividade.
Ana